Preconceito contra brasileiros na Europa: qual é a chance de homem brasileiro conquistar uma européia?

June 7, 2009 by victor  
Filed under essencial, viagens

Um dos leitores me escreveu porque pretende ir para a Itália no ano que vem e já quer saber sobre relacionamentos: o brasileiro é bem recebido pelas européias, ou rola preconceito? O viajante padrão que circular pela Europa vai voltar para o Brasil com histórias cabeludas e divertidas ou ter que admitir que não pegou ninguém?

Já estou faz três anos escrevendo meu livro sobre viagem na Europa e paquera. Durante o preparo, tenho respondido perguntas de leitores e essa sobre preconceito é uma das dúvidas mais comuns. Se você ainda não mandou sua pergunta, use o formulário do canto direito (Lista VIP) antes que ela encerre.

Para responder à pergunta desse leitor, eu pergunto a todos vocês: Qual das duas idéias abaixo você acredita ser verdade?

Mito 01: Brasileiro faz sucesso total na Europa e a mulherada local cai em cima só pelo fato de você dizer que veio do Brasil.

Mito 02: Brasileiro é imigrante de país subdesenvolvido e a xenofobia é grande na Europa. Brasileiro que tentar se aproximar de Européia vai tomar é toco.

A verdade é que a situação na Europa é mais simples e ao mesmo tempo mais complexa do que as duas imagens preto-ou-branco acima. Não é nem uma coisa, nem outra… e um pouco da mistura de ambos. Ficou confuso? Deixe eu explicar.

Como morei por vários anos em diferentes cidades européias, digo por experiência própria que preconceito existe sim. Mas o preconceito é parte do ser humano: existe no mundo inteiro. Até no Brasil, que é conhecido como terra da mestiçagem, tolerância e harmonia.

O assunto de preconceito contra brasileiros na Europa dá muito pano para manga e tem vários desmembramentos, a partir do controle alfandegário, sendo o caso da mestranda da USP Patrícia Camargo Magalhães na imigração espanhola e o da advogada Paula Oliveira na Suíça os que mais causaram polêmica recentemente.

O foco deste Blog

O foco do From Victor With Love – Diário é ajudar os brasileiros que fazem turismo na Europa a voltar para casa com boas memórias. Para isso, discutimos formas de melhorar a comunicação como parte da conquista, técnicas para um sexo de melhor qualidade e idéias criativas de viagem.

Por causa disso, eu não vou entrar nos detalhes de como arrumar o visto – veja isso com seu agente de viagem. E também não vou entrar em discussões sem fim sobre o preconceiro ser algo injusto, nem querer dar aula de moral sobre o que é certo ou errado.

Para quem gosta de bater boca, tem ótimos links por aí na Internet onde você pode dar sua opinião se cada brasileiro recebe o tratamento que merece, se a responsabilidade é dos imigrantes que fazem merda e todo mundo paga o pato, se o pessoal em Heathrow pirou na batatinha e está mandando todo brasileiro viajante (inclusive com grana no bolso) voltar para casa, ou se o presidente tem que botar ordem no barraco, etc etc.

Aqui, a gente coloca o foco em coisas positivas e boas, como mulherada, sexo e viagens legais. Pega uma breja na geladeira e continua lendo.

Respondendo ao Johnson

O leitor é o meu brother Johnson do ClubeAlpha, que mandou a seguinte série de perguntas que vou responder.

Olá estou interessadissimo nessa tua proposta pois como eu disse lá no CA eu estou indo para Italia e não quero cehgar lá totalmente cru mais as perguntais são essas:

1 – como posso eu um brasileiro vira lata rss conquistar qualquer tipo de mulher italiana?
2 – o que as italianas pensão dos brasileiros e principalmente negros? é verdade que elas adoram homens brasileiros e de cor?
3 – e como posso fazer muitos amigos e ampliar me rede de influencias em Roma (digo no ciclo de amizades)?
4 – e o que posso na sua opnião fazer aqui no brasil para melhorar minhas habilidades de fazer amigos e pegar mulher quando chegar lá.

Cumpadre Johnson, em primeiro lugar, deixa eu fazer um comentário muito breve sobre a Itália.

Tem brasileiro pra caralho na Itália

Lá é um local especial na Europa, onde acontece algo semelhante à Espanha e Portugal: uma quantidade ENORME de brazucas. O motivo, entre outros, é a facilidade que nós lusófonos temos em nos adaptar rapidamente ao idioma local. Em contraste, a quantidade proporcional de brasileiros na Alemanha diminui bastante, mas nós estamos em toda parte, hehe.

Por causa disso, o primeiro toque que eu dou é que você pode diminuir as suas expectativas – tanto positivas como negativas – a respeito de ser brasileiro, pois não será nenhum bicho de sete cabeças em território italiano.

Abordagem direta e abordagem indireta

A comunidade de sedução costuma classificar as abordagens em diretas e indiretas. Vou tentar explicar cada uma em um único parágrafo (detalhe: existem livros e mais livros sobre esses conceitos).

Um exemplo radical de paquera indireta é relatado no livro O Jogo: os fãs do Mystery costumam se aproximar das mulheres fazendo comentários ativamente demonstrando seu desinteresse (como assoar o nariz durante a conversa) ou ignorar a mulher desejada, dando mais atenção às amigas. Isso faz com que a mulher se sinta carente por atenção e assim mais aberta para a hora que o verdadeiro elogio chegar.

E para explicar a abordagem direta também em um único parágrafo, é quando o homem vai direto ao assunto, e diz como a mulher é linda demais e ele não tinha outra escolha senão parar tudo o que estava fazendo para a conhecer. O charme dessa abordagem está na sinceridade do homem que abaixa sua guarda completamente, ficando vulnerável. Se for mal feita, pode parecer coisa de homem carente ou canalha que só fala da boca para fora.

Bom, na Itália em geral eu recomendo o jogo indireto. O motivo é que os italianos são homens muito galanteadores que fazem a abordagem direta em todos os lugares! Na rua, supermercado, fila do ônibus… pelo país inteiro. E isso em geral deixa as mulheres menos sensíveis a uma abordagem direta: entra por um ouvido e sai por outro.

Por isso, para ter maior sucesso EM GERAL com as italianas eu recomendo um foco nas abordagens indiretas e através de círculo social.

Negros na Itália, Escandinávia e Leste Europeu

O primeiro ministro Silvio Berlusconi (sim, aquele do harém de menininhas na Sardenha e menores de idade como a Noemi Letizia) soltou mais uma das suas pérolas e disse que cidades como Roma e Milão são sujas igual uma cidade africana, e não parecem mais ser parte da Europa.

Daí o jornal La Repubblica emendou na declaração do Berlusconi e colocou como matéria de capa a chamada Nella Città Africana (Na Cidade Africana) uma reportagem de destaque sobre a vida em Milão e a quantidade de negros. Eu tirei fotos do jornal impresso e depois publico aqui.

O resumo da ópera, Johnson, é que em Roma, Milão, Nápoles e Palermo e em qualquer grande centro urbano da Europa você pode encontrar facilmente vários negros em grandes comunidades. Tem muita balada de africanos na França, Alemanha, Suíça e nesses locais é que você vai encontrar as meninas locais que têm alguma tara específica por negros e sua cultura e música.

Por isso que eu disse que tanto o mito 01 como o 02 são parcialmente verdade. Existe gosto para todas as cores e raças, e sempre tem idiota preconceituoso em qualquer lugar do planeta.

Pelo que eu observei em minhas viagens, os negros fazem bastante sucesso na Alemanha (veja a Heidi Klum e o Seal) e sobretudo na região Escandinávia (principalmente na Dinamarca e Suécia). Na cidade livre de Christiania que fica em Copenhagem, o que eu mais via era dinamarquesa que se amarrava num negão, mas isso fica para um artigo a parte.

Já no Leste Europeu a coisa é um pouco diferente, principalmente em cidades pequenas onde ainda não houve a chegada de imigrantes ou turismo de massa. Nesses locais, negros e asiáticos chamam muito a atenção, a ponto de crianças apontarem o dedo para você como se fosse um alienígena. Isso pode ser usado a seu favor, ou você pode ficar intimidado. Depende muito do conjunto de crenças e da sua desenvoltura em lidar com pressão social.

Círculo social e coisas a fazer ainda no Brasil

As perguntas 3 e 4 são ótimas. Aliás, como fazer amizades e expandir círculos sociais é a grande resposta para as dúvidas que você mandou. Por ironia que pareça ser, quando nós ficamos aqui discutindo sobre qual é o comportamento das européias, se elas curtem um negão, se japa tem alguma chance, se brasileiro faz sucesso etc etc… nós é que estamos sendo os preconceituosos.

Preconceito = pre + conceito. Julgar antes da hora.

Não dá para ter seriedade num discurso que diga “ah, o pessoal de tal país é desse jeito, assim, assado”. Tudo depende muito de cada indivíduo e do grupo social com o qual se identifica mais. Um skinhead alemão com certeza tem uma maneira de pensar diferente de um poeta alemão… mesmo se forem vizinhos. Dã – sorry pelo momento “diga o óbvio”.

O ponto que quis ilustrar é que se você souber fazer as conexões corretas com a turma do bem, não terá que voltar para o Brasil frustrado com histórias de preconceito ou se sentir excluído. Ao contrário: sabendo localizar os círculos sociais legais (como o pessoal do HospitalityClub e CouchSurfing por exemplo), e sabendo subcomunicar que você é um sujeito gente fina, respeitoso, divertido e veio para somar valor, todas as portas se abrem.

Só que para isso ou a gente nasce com uma certa intuição natural, ou tem que aprender. A tecnologia para se conectar socialmente vem desde a época do Dale Carnegie (Como fazer amigos e influenciar pessoas), até os livros mais novos de networking do Keith Ferrazzi (Nunca almoce sozinho), psicologia do Daniel Goleman (Inteligência social) e sedução documentada pelo Robert Greene (A arte da sedução).

A quantidade de material de qualidade é enorme e vou separando aqui as melhores – te aconselho começar dando uma olhada no material do Zan Perrion.

É isso. Ao invés de se preocupar se existe preconceito ou não contra brasileiro, raça negra, amarela, mestiços ou qualquer nacionalidade, vale mais a pena investir energia e concentração para trabalhar em características interpessoais que vão fazer seu jogo fluir melhor.

Eu vou dar uma atualizada nesta página de tempos em tempos, e também escrever novos artigos sobre esses assuntos. Para receber os artigos de graça e o conteúdo exclusivo para membros, você tem que estar cadastrado na Lista VIP (só ir pro formulário no topo da página, canto direito e deixar seu primeiro nome e email). Ou escrever um comentário aqui nesta página.

Abraço e me digam aí que pontos ficaram incompletos que vocês queiram debater.
Victor