Dicas para viajar de carro pela Europa
Como o Raul mencionou no texto sobre o frio do inverno europeu, nos últimos meses dei uma desacelerada aqui para me concentrar no preparo do livro sobre viagem e sedução na Europa.
Enquanto não trago novidades mais concretas, resolvi publicar um texto mais leve e despretensioso, contando de minhas aventuras dirigindo pela Europa.
1. Como arrumar um carro?
Para alugar carro na sua viagem curta de até um mês, compensa muito fazer a pesquisa em diferentes sites, como o da Hertz e Avis. A vantagem de escolher uma dessas redes internacionais de aluguel de carro é que você pode por exemplo retirar o carro na Espanha e devolver na Holanda, sem problemas.
Fazer a pesquisa com antecedência e com uma reserva de vários dias pode fazer com que o preço do aluguel fique muito barato, algo como cinquenta euros por dia se você não se importar em usar o modelo mais popular.

No caso da Avis, uma pesquisa aleatória feita entre Barcelona a Berlin me informou que eles não permitem o aluguel para devolução entre os dois países.

Por isso, recorri à Hertz, que oferece um Ford KA aproximadamente a sessenta euros diários.
No meu caso, eu comprei um carro em acordo informal com um amigão. Como nos conhecemos e temos confiança mútua, eu deixei o dinheiro na mão dele e recebi as chaves.
Os documentos continuam todos em nome dele. Eu me comprometi a nunca emprestar o carro a ninguém, dirigir sempre com cuidado e, no caso raro de tomar multa, pagar e fazer todo o trabalho administrativo para deixar o carro sempre em perfeita condição. Depois conto mais como isso funciona.
2. Os locais
Feito isso, e com um GPS na mão, a aventura depende apenas da imaginação. Os vinte e três países que percorri de carro pela Europa mencionados no post “Dirigir sem rumo é muito melhor” do Papo de Homem escrito pelo Rodrigo Almeida são:
Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Holanda, Hungria, Itália, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia, República Tcheca, Sérvia, Suécia e Suíça.
Aqui vão alguns comentários genéricos sobre o que encontrei pela estrada em cada um desses países (os relatos com as moças ficam para o livro):
Alemanha: estradas incríveis. As autobahns são o sonho de qualquer motorista. Não possuem limite de velocidade, e é comum que você dirija a 160 por hora, sendo ultrapassado por alguém a 200. Isso só é possível por conta dos carros muito bem revisados, além de uma educação de estrada impecável. Para finalizar: não tem pedágio!!! Tudo é bancado pelo governo, com as contribuições dos cidadãos alemães.
Andorra: país de dimensão geográfica ínfima. Se você estiver com toda a papelada, bagagem e carro em ordem, não há o que temer. Porém se algo não estiver 100%, é melhor evitar dirigir por essas bandas. A polícia de fronteira costuma ser mais rigorosa, por conta de benefícios fiscais em Andorra e as suas chances de ser parado são maiores.
Áustria: é um dos países onde você deve comprar um selo adesivo que representa a tarifa de estrada, chamada vignette. Todo posto de gasolina de fronteira tem e os funcionários podem explicar em maiores detalhes sobre qual é o selo adequado para seu uso.

Bélgica: nada excepcional. Boas estradas em geral. Chocolate bom e Stella Artois quando parar de dirigir.
Croácia: foi uma das estradas mais bacanas onde dirigi. Percorrer as montanhas, vindo da Sérvia em direção à costa, é algo sensacional. Muitas vezes existe nevoeiro forte, o que deixa a coisa ainda mais bacana. Os postos de gasolina são meio esparsos, então sempre é uma boa idéia ter o tanque cheio para evitar problemas.
Dinamarca: também tem cenários muito bacanas por conta das enormes pontes. Custa caro fazer a travessia dessas pontes, mas é uma experiência sensacional.
Eslováquia: tem bastante montanha e até a atendente do caixa no posto de gasolina é gata. As estradas por onde eu percorri estavam em boas condições e não deixavam em nada a desejar comparando com outros países mais para oeste.
Eslovênia: fuja a qualquer custo! Muitos pedágios. Controladores de fronteira com a Croácia super pentelhos.
Espanha: é um país enorme com muita variedade. A estrada entre Barcelona e Perpignan é muito linda, seja de dia ou de noite. Venta muito, e eu me assustei com a quantidade de placas indicando possível tombamento de carros altos!
Estônia: ótima estrada, motoristas tranquilos. Dependendo do seu modelo de GPS, pode ser que os mapas na fronteira com a Letônia não estejam atualizados. Eu me perdi algumas vezes, mas encontrei meu caminho depois de duas horas.
Finlândia: excelentes estradas, mas é bom evitar dirigir ao norte em época de nevasca. Aliás, verifique se o seu pneu é específico para inverno ou se é do tipo que aguenta todas as estações. O símbolo de um floco de neve no pneu indica que você não será nem multado e nem corre grande perigo. Mas sempre os acidentes aumentam muito no inverno.
França: é um local controverso. De um lado, as paisagens são muito bonitas e a comida da estrada é excelente, igual ou talvez melhor que na Itália (em geral a comida de estrada é um lixo). De outro lado, é um absurdo o que se paga de pedágio. Para cruzar o país, pode se preparar para desembolsar uns duzentos euros. A solução é usar a opção do GPS para evitar pedágios usando estradas secundárias, que demoram mais porém compensam. A segunda coisa que irrita é a quantidade absurda de radares de velocidade.
Holanda: nada excepcional. A não ser a falta de montanhas. Parece que se dirige rumo ao horizonte eternamente, comprovando que a terra de fato é redonda.
Hungria: nenhuma observação específica, a não ser o fato de que aqui também qualquer mulher que se encontra é absurdamente linda. Terra sagrada!
Itália: excelentes postos de gasolina, com restaurantes melhores do que se encontra em muita capital européia! As estradas em geral são muito bonitas, mas o trânsito pode incomodar – tenha sempre um iPod bem carregado com músicas e audiobooks.
Letônia: belíssimas mulheres, estradas adequadas e sem nenhum comentário especial. A não ser farta disponibilidade de wi-fi nos diferentes restaurantes ao norte de Riga.
Lituânia: uma coisa que me impressionou foi a fronteira com a Polônia. Diversas muralhas, arame farpado e torres de controle. Parecia que eu estava num filme do James Bond! Como tanto a Polônia como a Lituânia fazem parte do Acordo Schengen, não há o que temer. Apenas preste MUITA atenção para não errar o caminho e entrar na Rússia (Kaliningrado), pois daí é dor de cabeça certa com o visto.
Noruega: de longe, na minha opinião é onde eu vi as paisagens naturais mais estonteantes. Combinação de fiordes e montanhas rochosas. Apelação total. Algumas vezes dava raiva ser motorista e ter que prestar atenção na estrada, enquanto passava por locais surreais. Só as estradas valem a visita. As loiras norueguesas, assim, ficam como um belo bônus a quem encarar os preços da Noruega.
Polônia: as estradas lembram muito o Brasil. Tem estradas ótimas e estradas péssimas. Calcule sempre 20% a mais de tempo para se locomover. Os postos de gasolina são divertidos quando ninguém fala inglês e é uma ótima maneira para exercitar o polonês aprendido nos phrasebooks.
República Tcheca: é outro país que pede o selinho vignette para dirigir. Não há grandes comentários especiais. Pessoalmente, eu gosto muito desse país e a estrada me traz boas memórias.
Sérvia: aqui o bicho costumava pegar. A estrada marcava o fim do espaço Schengen, e o controle de passaporte podia ser muito chato, com direito a sujeito mau humorado perguntando se você tem reserva de hotel, qual é o motivo da visita, sua profissão e mil outras perguntas. Agora isso está mudando.
Suécia: se por um lado é onde tem a imagem mais marcante sobre suas lendárias loiras escandinavas, por outro lado eu não consigo me lembrar de nada particular das estradas suecas. Talvez eu estivesse pensando em outra coisa…
Suíça: é também país onde é necessário ter o selo de tarifa. A diferença para a Áustria e República Tcheca é que na Suíça a vignette é anual. Então seja se você estiver dirigindo por um dia ou um ano, o preço é o mesmo. Estradas adequadas, com muitos túneis e com riscos de engarrafamento (por não serem largas o suficiente no caso de acidentes).
Ufa! Apesar de ter feito a listagem assim, tão rápido, eu sei que os comentários podiam ser mais elaborados. Mas daí o post ficaria gigantesco.
Existem outros macetes sobre alugar carro, conseguir que algum amigo local lhe empreste ou faça algum acordo informal – são alguns dos pontos que escrevo no livro que está na fase final. Se quiser entrar para a Lista VIP e receber algumas dicas de viagem de graça, cadastre-se aqui.
(crédito da foto de capa: http://www.flickr.com/photos/dennissylvesterhurd)



Andreas Figge on Tue, 2nd Mar 2010 3:42 am
tipo, nunca saí do brasil nem nada, mas conheço bastante gente que mora na europa e tenho muitos amigos morando na alemanha… fiquei sabendo desse site por um amigo que está indo morar lá por 1 ano, é um site que, pelo pouco que falo alemão, vende carros usados… e tem muito carro barato, mando esse link como exemplo: http://eng.autoscout24.com/home/index/detail.asp?ts=1650408&id=lrctv41wgmuz&sc=&make=13&model=&pricefrom=&euroto=&zip=
uma bmw em condições legaizinhas até que está apenas 900 euros, tem alguns mais baratos. não valeria mais a pena comprar um pra viagem? e dps simplesmente vender por qualquer quantia? acho que seria lucro de qualquer jeito… queria uma opinião a respeito. Abraços cara!
Victor on Tue, 2nd Mar 2010 7:47 am
Oi Andreas – você está correto. A Alemanha é o melhor lugar para comprar carro de segunda mão.
O problema para nós, brasileiros, é na hora de registrar o carro. Pois além da transferência do carro, é necessário fazer um green paper que é o seguro internacional para as estradas européias.
Um dos elementos para esse seguro é um endereço, e a autorização de residência ou um documento europeu. Por isso é difícil para um brasileiro fazer a compra pelas vias tradicionais. Assim, o ideal é você fazer um esquema com algum europeu que queira comprar o carro.
Andreas Figge on Wed, 3rd Mar 2010 2:06 pm
ah sim, entendi o ponto agora, seria bem burcrático e chato mesmo.. aí só uma última pergunta: eu quero viajar pra europa daqui um tempo, quando tiver um dinheiro legal guardado, pois pretendo ficar alguns anos por aí conhecendo tudo. A minha vantagem é que minha dupla cidadania alemã está para sair e tenho família morando na alemanha, o que já é um lugar para ficar (como um acampamento base pras minhas viagens). Nesse caso eu queria saber se tudo mais fácil, incluindo a parte burocrática de se comprar um carro, já que eu seria um cidadão alemão na teoria… abraços cara!
Victor on Wed, 3rd Mar 2010 8:27 pm
Andreas, já te mandei por email um link com a página da nossa comunidade onde respondi sua pergunta com mais detalhes. Valeu!
Dirigir sem rumo é muito melhor | Papo de Homem – Lifestyle Magazine on Sat, 6th Mar 2010 9:14 pm
[...] até a Noruega, e depois desci até a costa da Croácia.O que foi que eu aprendi após percorrer vinte e três países europeus de carro? Primeiro, que os meus medos me paralisavam de uma maneira muito maior do que a curiosidade me [...]
Gustavo Furtado on Thu, 2nd Sep 2010 1:40 pm
Viajo muito de carro aqui no Brasil, com minha família, esposa e dois filhos adolescentes (até prefiro viajar de carro) e estou planejando uma viajem para a europa. Gostaria de conhecer Lisboa, Madrid, Barcelona, Monaco, Roma, Milão e Paris. Soube que muitos brasileiros viajam de carro pela Europa. Quais as maiores dificuldades que enfrentaria para me adaptar às estradas e ao trânsito europeu ? Sem conhecer a Europa (seria minha primeira vez lá), será que conseguiria fazer essa viajem ?
victor on Thu, 2nd Sep 2010 2:00 pm
Beleza, Gustavo? Se vc tem experiência de estrada no Brasil, não tem o que se preocupar com esse trajeto apresentado.
Dicas específicas:
1. Compre um GPS. Recomendo o Garmin, apesar de muitos gostarem do TomTom, tive uma experiência muito melhor com o Nüvi da Garmin
2. Não estresse demais em atualizar o mapa: pode ser que uma coisa ou outra tenha mudado, mas eu pessoalmente acho que não vale o perrengue em descobrir como atualizar o aparelho (sim, já teve ocasião que eu perdi mais de uma hora retornando para o percurso correto por causa de obras ou estrada nova, mas nada demais)
3. De Barcelona para o leste, vá de dia, pois a paisagem é muito bonita
4. Perto de Paris, cuidado com os vários radares (o Garmin avisa) de velocidade e MUITO pedágio
5. Calcule quanto vai gastar mais ou menos com pedágio e gasolina no http://www.viamichelin.com
6. Tenha em mãos o “green card” que é um seguro internacional – ao alugar o carro vc deve ter um!
7. Carteira internacional JUNTO com sua CNH
Tendo isso tudo, e a grana pra gasolina, é só se divertir. Mande fotos e novidades pra gente!
Gustavo Furtado on Fri, 3rd Sep 2010 10:53 am
Valeu, pelas dicas.
Um grande abraço e com certeza mandarei fotos e as novidades.
Gustavo.
Rafael on Tue, 7th Jun 2011 12:26 pm
NÂO ALugue CARRO NA EUROPCAR!
Aluguei um carro na frança para fazer um tur pelo interior. Segui todas as recomendações da empresa (dos seus funcionarios), mas na hora de receber a fatura do meu cartão uma ingrata surpresa, um debito de 150 euros a mais que o acordado.
Já liguei, já mandei varios email, mandei mensagem pelo site. E todas as resposta não me ajudaram nada.
Escrevo esse comentario para previnir outras pessoas de nao tomarem o mesmo prejuizo, pesquisei e tem muitas pessoas que tiveram problemas com europcar.
ROBERTA on Thu, 8th Sep 2011 2:33 pm
BOM DIA!
VOU PASSAR A LUA DE MEL NA EUROPA E VAMOS ALUGAR UM CARRO NA FRANÇA E NA ALEMANHA!
COTAMOS PREÇOS COM AGENCIAS DE VIAGENS AQUI NO BRASIL E POR SITES NA INTERNET.
OS PREÇO PELA INTERNET SÃO MUITO MELHORES….É SEGURO ALUGAR CARRO PELA INTERNET???
victor on Sat, 10th Sep 2011 1:37 pm
Roberta, faça com as grandes operadoras (Hertz ou Avis) que é sossegado.
guilherme on Thu, 22nd Dec 2011 11:59 am
Olá Victor. Tudo bem?
Viajar pela Europa de carro como você fez, é um sonho para mim e minha esposa. Só dirigi na Itália, Espanha e Portugal. No carnaval vamos à Bélgica e dirigirei por lá. Da Bélgica, vamos a Portugal e a ideia principal era sair de Bruges (última cidade da Bélgica que visitaremos) e dirigir até Ponte de Lima (Portugal). Ocorre que quando fui reservar o carro na AVIS, me cobraram uma “taxa de devolução” de quase 1000 (mil) euros! Fora o aluguel do carro em si. Perguntei o por que desse valor exorbitante e eles disseram que o motorista da Bélgica teria que pegar o carro em Portugal e trazer de volta. Tentei em várias locadoras e todas cobravam esse preço astronômico. Em suma, desistimos. Você pagou por essa taxa? Você sabe de alguma locadora que não cobre esse preço de devolução?
Obrigado
Luiz michelazzo on Thu, 26th Jan 2012 12:51 pm
Oi Victor, bom dia:
Há alguma dificuldade em passar com carro alugado da República Tcheca para a Alemanha, Polônia, Áustria? Esse tal selinho de parabrisa, com ele não se paga mais nenhum pedágio? Porque na Áustria, além dele tive que pagar outros pedágios. Como funciona?
Ah, em março como são as estradas na Tcheca? Ainda tem gelo?
Grande abraço, no aguardo
Mic
lucia on Sun, 12th Feb 2012 8:24 pm
Adorei tuas dicas!
Minha familia e eu planejamos uma viagem de + – 20d: iniciando em Lisboa, Espanha, França, Alemanha, Luxemburgo e Belgica, retornando à Lisboa para pegar o voo.
Somos 6 pessoas, por isso planejamos locar uma Van (ou ir de trem?). Até agora, pelo menos aparentemente, a locação de um carro pela Hertz parece ser o mais adequado.
Vc q tem experiência, podemos pegar o mesmo carro, seguir os paises desejados e retornar, devolvendo o veículo em Lisboa?
Não consegui email da herz p/contato, talvez q só me cadastrando?
Essa e outras dias q julgar importante, estou aceitando!
obrigada, lucia
poa/rs/brasil