Cuidado com Ryanair! 3 truques por trás das passagens aéreas na Europa

March 18, 2010 by victor  
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Costumo receber muitas perguntas a respeito da Ryanair, que oferece vôos a partir de um centavo de Euro. As principais dúvidas são a respeito da segurança desses vôos e qual seria o truque por trás dessas passagens tão baratas.
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Vamos ver como uma passagem entre Londres a Barcelona é anunciada a 35 reais, e reverte 123 reais para a Ryanair ao final:
Custos de uma passagem aérea entre Londres a Barcelona, em reais. Fonte: Inviseomedia e Ryanair

O gráfico acima representa como um custo padrão de uma passagem aérea é complementado com taxas de transporte de bagagens, bebidas e comida vendida separadamente na aeronave, além de milhares de taxas e a receita que é obtida com anunciantes.
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Os dados foram obtidos em artigo de Chris Anderson, editor da Wired, e autor do livro Free:Grátis – O futuro dos preços. Na PdH Lifestyle Magazine, escrevi como o sistema do grátis por vezes é realmente fruto de uma economia de abundância e em outras vezes faz parte de um truque de marketing.
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No caso do modelo de empresas aéreas como a Ryanair, princípios gerais como redução de custos e aumento de taxas de produtos complementares são aplicados. Em alguns casos, esse princípio pode ofender alguns viajantes, que tomam sustos caso não entendam como o sistema funciona. O objetivo deste post é esclarecer pontos importantes para sua viagem.
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Para isso, vou simular a compra de uma passagem simples entre Londres a Barcelona, mostrando que a realidade não é tão cor de rosa como os números apresentados acima pelo Chris Anderson.
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Primeiro ponto a considerar: os aeroportos

No caso de Londres a Barcelona, o aeroporto é Londres Luton / Stansted / Gatwick até Girona. Existem custos significativos para se locomover da cidade até esses aeroportos. Um ônibus entre o centro de Londres até um dos aeroportos geralmente custa uns 40 reais. Já Girona é mais barato: 15 reais.
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Sempre faça as pesquisas e adicione o valor desses transportes internos para o cálculo de sua viagem. Considere se companhia apenas opera em aeroportos cujo custo (de dinheiro e também de tempo) ultrapassa ou não o benefício oferecido por outras empresas.
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O primeiro truque: apenas a minoria dos vôos possui o valor irrisório

O chamariz da empresa é o marketing do boca-a-boca de que a Ryanair faz vôos por alguns míseros centavos. Parece mágica. Será que é sempre assim?

Nessa compra que estou simulando, os vôos que encontrei entre London Luton a Girona começam a 30 reais para o período pesquisado. Adicione a isso o valor de 13,50 reais para o check-in online para cada trecho.

O total de ida e volta é 32.48 libras (GBP), que equivale a 87,88 reais na data de publicação desse post. Será que para por aí?

Segundo truque: a Matemática do Mallandro

Joãozinho, responda à seguinte pergunta: para embarcar na aeronave com uma mala, o valor cobrado é de 30 libras. Quanto custa para embarcar com duas malas?
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Transporte de uma mala: 30 libras (15 para cada trecho)

Transporte de duas malas: 100 libras!!!

Sérgio Mallandro responde para você: 100 libras! Glu-glu!!!

A lógica da Ryanair é que o viajante que viaja com muita bagagem pode ser taxado de modo a cobrir o custo dos demais. Repare que uma mala padrão tem peso entre 4 a 7 kgs. Como o limite de cada bagagem é 15 kg, a RyanAir pode também taxar o sobrepeso.
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Eu acho muito difícil um brasileiro conseguir viajar pela Europa com apenas 15 kg de bagagem – por isso, sempre faça o seu cálculo considerando duas malas.
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Terceiro truque: dez libras para comprar

Apesar de representar um custo real para qualquer empresa que realize comércio eletrônico, o valor que a administradora do cartão cobra da Ryanair para uma única operação é inferior a 27 reais (10 libras). Porém esse é o valor que a empresa apresenta para o viajante, que não tem escolha a não ser fazer sua reserva com o cartão.
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A taxa de cartão de crédito é de dez libras é sempre cobrada. Não existe escapatória, pois inclusive o RyanAir Mastercard e RyanAir Visa também sofrem a taxa de dez libras, assim como todos os cartões.
Milagre da multiplicação: de 22,48 libras para 142,48 libras. Seis vezes mais caro.

No final da história, as passagens de ida e volta que pareciam custar 22,48 libras se transformaram em 142,48 libras. Seis vezes mais caro. E isso ainda é no caso de sua bagagem de mão não ultrapassar o limite da empresa. O website é propositalmente obscuro no limite de tamanho e peso, incentivando que o viajante leve uma bagagem de mão que seja taxada para o embarque.
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Resumo da história

Os principais pontos que o brasileiro viajante deve considerar antes de comprar um vôo com a RyanAir são:

- quantidade de bagagens e seu peso, que nunca deve ultrapassar 15 kg pela unidade para evitar as pesadas taxas (cada kg extra custa aproximadamente 32 reais);

- bagagem de mão não deve ultrapassar 10 kg e dimensão de 55 cm x 40 cm x 20 cm. Dentro dessa bagagem de mão, TUDO deve estar dentro, incluindo câmera e laptop, bem como compras feitas no aeroporto. Atenção: isso é diferente da prática de outras companhias aéreas que permitem carregar esses itens separadamente. Caso não observado, o que ultrapassar também implica em pesada taxa pois a bagagem de mão será considerada uma bagagem extra dentro da Matemática do Mallandro;

- lembrar que existem os valores de transporte a aeroporto, além de taxas ocultas que somente aparecem durante a compra (cartão de crédito e online check-in)

Caso, após todo o processo, ainda valer a pena, siga em frente e boa viagem.

Opções alternativas são usar a EasyJet, FlyBaboo, AirBaltic, GermanWings, AirBelin e mesmo as empresas tradicionais como a Swiss ou FinnAir podem oferecer preços finais mais baixos.

Dica extra 1: Uma das formas de pesquisar com eficiência entre as opções existentes é o Skyscanner.

Dica extra 2: Este foi um post bastante curto sobre aspectos relacionados a custo de viagem. Para quem estiver realmente interessado no assunto, recomendo o livro que é divulgado pela Lista VIP, onde você pode também entrar em contato comigo, para que eu responda perguntas mais específicas.

Dicas para viajar de carro pela Europa

March 1, 2010 by victor  
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Como o Raul mencionou no texto sobre o frio do inverno europeu, nos últimos meses dei uma desacelerada aqui para me concentrar no preparo do livro sobre viagem e sedução na Europa.

Enquanto não trago novidades mais concretas, resolvi publicar um texto mais leve e despretensioso, contando de minhas aventuras dirigindo pela Europa.


1. Como arrumar um carro?

Para alugar carro na sua viagem curta de até um mês, compensa muito fazer a pesquisa em diferentes sites, como o da Hertz e Avis. A vantagem de escolher uma dessas redes internacionais de aluguel de carro é que você pode por exemplo retirar o carro na Espanha e devolver na Holanda, sem problemas.

Fazer a pesquisa com antecedência e com uma reserva de vários dias pode fazer com que o preço do aluguel fique muito barato, algo como cinquenta euros por dia se você não se importar em usar o modelo mais popular.

No caso da Avis, uma pesquisa aleatória feita entre Barcelona a Berlin me informou que eles não permitem o aluguel para devolução entre os dois países.

Por isso, recorri à Hertz, que oferece um Ford KA aproximadamente a sessenta euros diários.

No meu caso, eu comprei um carro em acordo informal com um amigão. Como nos conhecemos e temos confiança mútua, eu deixei o dinheiro na mão dele e recebi as chaves.

Os documentos continuam todos em nome dele. Eu me comprometi a nunca emprestar o carro a ninguém, dirigir sempre com cuidado e, no caso raro de tomar multa, pagar e fazer todo o trabalho administrativo para deixar o carro sempre em perfeita condição. Depois conto mais como isso funciona.


2. Os locais

Feito isso, e com um GPS na mão, a aventura depende apenas da imaginação. Os vinte e três países que percorri de carro pela Europa mencionados no post “Dirigir sem rumo é muito melhor” do Papo de Homem escrito pelo Rodrigo Almeida são:

Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Holanda, Hungria, Itália, Letônia, Lituânia, Noruega, Polônia, República Tcheca, Sérvia, Suécia e Suíça.

Aqui vão alguns comentários genéricos sobre o que encontrei pela estrada em cada um desses países (os relatos com as moças ficam para o livro):

Alemanha: estradas incríveis. As autobahns são o sonho de qualquer motorista. Não possuem limite de velocidade, e é comum que você dirija a 160 por hora, sendo ultrapassado por alguém a 200. Isso só é possível por conta dos carros muito bem revisados, além de uma educação de estrada impecável. Para finalizar: não tem pedágio!!! Tudo é bancado pelo governo, com as contribuições dos cidadãos alemães.

Andorra: país de dimensão geográfica ínfima. Se você estiver com toda a papelada, bagagem e carro em ordem, não há o que temer. Porém se algo não estiver 100%, é melhor evitar dirigir por essas bandas. A polícia de fronteira costuma ser mais rigorosa, por conta de benefícios fiscais em Andorra e as suas chances de ser parado são maiores.

Áustria: é um dos países onde você deve comprar um selo adesivo que representa a tarifa de estrada, chamada vignette. Todo posto de gasolina de fronteira tem e os funcionários podem explicar em maiores detalhes sobre qual é o selo adequado para seu uso.

Bélgica: nada excepcional. Boas estradas em geral. Chocolate bom e Stella Artois quando parar de dirigir.

Croácia: foi uma das estradas mais bacanas onde dirigi. Percorrer as montanhas, vindo da Sérvia em direção à costa, é algo sensacional. Muitas vezes existe nevoeiro forte, o que deixa a coisa ainda mais bacana. Os postos de gasolina são meio esparsos, então sempre é uma boa idéia ter o tanque cheio para evitar problemas.

Dinamarca: também tem cenários muito bacanas por conta das enormes pontes. Custa caro fazer a travessia dessas pontes, mas é uma experiência sensacional.

Eslováquia: tem bastante montanha e até a atendente do caixa no posto de gasolina é gata. As estradas por onde eu percorri estavam em boas condições  e não deixavam em nada a desejar comparando com outros países mais para oeste.

Eslovênia: fuja a qualquer custo! Muitos pedágios. Controladores de fronteira com a Croácia super pentelhos.

Espanha: é um país enorme com muita variedade. A estrada entre Barcelona e Perpignan é muito linda, seja de dia ou de noite. Venta muito, e eu me assustei com a quantidade de placas indicando possível tombamento de carros altos!

Estônia: ótima estrada, motoristas tranquilos. Dependendo do seu modelo de GPS, pode ser que os mapas na fronteira com a Letônia não estejam atualizados. Eu me perdi algumas vezes, mas encontrei meu caminho depois de duas horas.

Finlândia: excelentes estradas, mas é bom evitar dirigir ao norte em época de nevasca. Aliás, verifique se o seu pneu é específico para inverno ou se é do tipo que aguenta todas as estações. O símbolo de um floco de neve no pneu indica que você não será nem multado e nem corre grande perigo. Mas sempre os acidentes aumentam muito no inverno.

França: é um local controverso. De um lado, as paisagens são muito bonitas e a comida da estrada é excelente, igual ou talvez melhor que na Itália (em geral a comida de estrada é um lixo). De outro lado, é um absurdo o que se paga de pedágio. Para cruzar o país, pode se preparar para desembolsar uns duzentos euros. A solução é usar a opção do GPS para evitar pedágios usando estradas secundárias, que demoram mais porém compensam. A segunda coisa que irrita é a quantidade absurda de radares de velocidade.

Holanda: nada excepcional. A não ser a falta de montanhas. Parece que se dirige rumo ao horizonte eternamente, comprovando que a terra de fato é redonda.

Hungria: nenhuma observação específica, a não ser o fato de que aqui também qualquer mulher que se encontra é absurdamente linda. Terra sagrada!

Itália: excelentes postos de gasolina, com restaurantes melhores do que se encontra em muita capital européia! As estradas em geral são muito bonitas, mas o trânsito pode incomodar – tenha sempre um iPod bem carregado com músicas e audiobooks.

Letônia: belíssimas mulheres, estradas adequadas e sem nenhum comentário especial. A não ser farta disponibilidade de wi-fi nos diferentes restaurantes ao norte de Riga.

Lituânia: uma coisa que me impressionou foi a fronteira com a Polônia. Diversas muralhas, arame farpado e torres de controle. Parecia que eu estava num filme do James Bond! Como tanto a Polônia como a Lituânia fazem parte do Acordo Schengen, não há o que temer. Apenas preste MUITA atenção para não errar o caminho e entrar na Rússia (Kaliningrado), pois daí é dor de cabeça certa com o visto.

Noruega: de longe, na minha opinião é onde eu vi as paisagens naturais mais estonteantes. Combinação de fiordes e montanhas rochosas. Apelação total. Algumas vezes dava raiva ser motorista e ter que prestar atenção na estrada, enquanto passava por locais surreais. Só as estradas valem a visita. As loiras norueguesas, assim, ficam como um belo bônus a quem encarar os preços da Noruega.

Polônia: as estradas lembram muito o Brasil. Tem estradas ótimas e estradas péssimas. Calcule sempre 20% a mais de tempo para se locomover. Os postos de gasolina são divertidos quando ninguém fala inglês e é uma ótima maneira para exercitar o polonês aprendido nos phrasebooks.

República Tcheca: é outro país que pede o selinho vignette para dirigir. Não há grandes comentários especiais. Pessoalmente, eu gosto muito desse país e a estrada me traz boas memórias.

Sérvia: aqui o bicho costumava pegar. A estrada marcava o fim do espaço Schengen, e o controle de passaporte podia ser muito chato, com direito a sujeito mau humorado perguntando se você tem reserva de hotel, qual é o motivo da visita, sua profissão e mil outras perguntas. Agora isso está mudando.

Suécia: se por um lado é onde tem a imagem mais marcante sobre suas lendárias loiras escandinavas, por outro lado eu não consigo me lembrar de nada particular das estradas suecas. Talvez eu estivesse pensando em outra coisa…

Suíça: é também país onde é necessário ter o selo de tarifa. A diferença para a Áustria e República Tcheca é que na Suíça a vignette é anual. Então seja se você estiver dirigindo por um dia ou um ano, o preço é o mesmo. Estradas adequadas, com muitos túneis e com riscos de engarrafamento (por não serem largas o suficiente no caso de acidentes).

Ufa! Apesar de ter feito a listagem assim, tão rápido, eu sei que os comentários podiam ser mais elaborados. Mas daí o post ficaria gigantesco.

Existem outros macetes sobre alugar carro, conseguir que algum amigo local lhe empreste ou faça algum acordo informal – são alguns dos pontos que escrevo no livro que está na fase final. Se quiser entrar para a Lista VIP e receber algumas dicas de viagem de graça, cadastre-se aqui.

(crédito da foto de capa: http://www.flickr.com/photos/dennissylvesterhurd)